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Declaração Universal dos Direitos do Prematuro


Foto de Willian Santos

Membro assíduo da lista eletrônica L-canguru@ há vários anos e trabalhador junto a prematuros desde o inicio da minha vida profissional, percebi, ao ler o e-mail do Dr Hector Martinez, que roubara dos prematuros um direito essencial e frequentemente a eles sonegado: o direito ao seio e ao leite materno.

As palavras do Dr. Martinez me fizeram concluir sobre a natureza usurpadora da minha prática clinica, mas foram suficientemente sábias e profundas para me estimularem a redigir este decimo segundo artigo (eu estava mesmo incomodado com o fato da Declaração... ter onze).

Espero que os fonoaudiologos e os odontologos neonatais nele representados, bem como todos aqueles que trabalham com Bancos de Leite Humano e suas ações, possam percebê-lo sem falhas grosseiras ou omissões desastrosas.

Ao Dr Martinez, pela elegancia e pelo encantamento de suas palavras, dedico este artigo que trata do direito sonegado.    

 

Artigo XII

Todo prematuro tem o direito de ser alimentadas com o leite de sua própria mãe ou, na falta deste, com o de outra mulher tão logo suas condições clinicas assim o permitirem. Deverá ter sua sucção corretamente trabalhada desde o inicio da vida e caberá à equipe de saúde garantir-lhe esse direito, afastando de seu entorno bicos de chupetas, chucas ou de qualquer outro elemento que venha interferir negativamente em sua sucção saudável, bem como assegurando seu acompanhamento por profissionais capacitados a facilitarem esse processo. Nenhum custo financeiro será considerado demasiadamente grande quando aplicado com esse fim. Nenhuma fórmula láctea será displicentemente prescrita e nenhum zelo será descuidadamente aplicado sem que isso signifique desatenção e desamparo. O leite materno, doravante, será considerado e tratado como parte fundamental da sua vida.   

 

  

Declaração Universal dos Direitos do bebê prematuro

 

Artigo I

        Todos os prematuros nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência. Possuem vida anterior ao nascimento, bem como memória, aprendizado, emoção e capacidade de resposta e interação com o mundo em sua volta.    

Artigo II

        Todo prematuro tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.    

 Artigo III

        Nenhum prematuro será arbitrariamente exilado de seu contexto familiar de modo brusco ou por tempo prolongado. A preservação deste vínculo, ainda quando silenciosa e discreta, é parte fundamental de sua vida.   

Artigo IV

        Todo prematuro tem direito ao tratamento estabelecido pela ciência, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. Sendo assim, todo prematuro tem o direito de ser cuidado por uma equipe multidisciplinar capacitada a compreendê-lo, interagir com ele e a tomar decisões harmônicas em seu beneficio e em prol de seu desenvolvimento.   

 Artigo V

Todo prematuro tem direito à liberdade de opinião e expressão, portanto deverá ter seus sinais de aproximação e afastamento identificados, compreendidos, valorizados e respeitados pela equipe de cuidadores. Nenhum procedimento será considerado ético quando não levar em conta para sua execução as necessidades individuais de contato ou recolhimento do bebê prematuro.

Artigo VI 

        Nenhum prematuro será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. Sua dor deverá ser sempre considerada, prevenida e tratada através dos processos disponibilizados pela ciência atual. Nenhum novo procedimento doloroso poderá ser iniciado até que o bebê se reorganize e se restabeleça da intervenção anterior. Negar-lhe esse direito é crime de tortura contra a vida humana.

Artigo VII

        Todo prematuro tem direito ao repouso, devendo por isso ter respeitados seus períodos de sono superficial e profundo que doravante serão tomados como essenciais para seu desenvolvimento psíquico adequado e sua regulação biológica. Interromper de forma aleatória e irresponsável sem motivo justificado o sono de um prematuro é indicativo de maus tratos.

Artigo VIII

        Todo prematuro tem o direito inalienável ao silencio que o permita sentir-se o mais próximo possível do ambiente sonoro intra-uterino, em respeito a seus limiares e à sua sensibilidade. Qualquer fonte sonora que desrespeite esse direito será considerada criminosa, hedionda e repugnante.

 

Artigo IX

        Nenhum prematuro deverá, sob qualquer justificativa, ser submetido a procedimento estressante aplicado de forma displicente e injustificada pela Equipe de Saúde, sob pena da mesma ser considerada negligente, desumana e irresponsável.

Artigo X

        Todo prematuro tem direito a perceber a alternância entre a claridade e a penumbra, que passarão a representar para ele a noite e o dia. Nenhuma luz intensa permanecerá o tempo inteiro acesa e nenhuma sombra será impedida de existir sob a alegação de monitorização continua sem que os responsáveis por estes comportamentos deixem de ser considerados displicentes, agressores e de atitude dolosa.

Artigo XI

Todo prematuro tem o direito, uma vez atingidas as condições básicas de equilíbrio e vitalidade, ao amor materno, ao calor materno e ao leite materno que lhe são oferecidos através do Método Mãe Canguru. Caberá à Equipe de Saúde prover as condições estruturais mínimas necessárias a esse vinculo essencial e transformador do ambiente prematuro. Nenhum profissional ou cargo de comando em nenhuma esfera tem a prerrogativa de impedir ou negar a possibilidade desse vinculo que é símbolo da ciência tecnocrata redimida.

 

O autor desta maravilha é o Dr. Luís Alberto Mussa Tavares, Pediatra, Poeta, amigo de fé, irmão camarada.

Editor dos sites:

www.fotolog.net/oprematuro

www.fotolog.net/amamentando

 

 
 

Este evento recebeu patrocínio de empresas privadas, em conformidade com a Lei 11.265, de 3 de janeiro de 2006.
"Compete de forma prioritária aos profissionais e ao pessoal de saúde em geral estimular a prática do aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até os dois anos de idade ou mais." Portaria 2.051 de 08/11/2001 - MS e Resolução 222 de 05/08/2002 - ANVISA. O apoio a este evento por entidades e empresas não revelam conflito de interesses.

A Empresa J&J é um dos apoiadores das Conferências porque não fabrica ou comercializa mamadeiras, chupetas, intermediários de silicone ou qualquer produto que prejudique a amamentação em nenhum país da América Latina. Clique aqui e leia a carta compromisso da empresa.

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